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Placa de Bruxismo Weber Desenvolvida pelo Prof. Dr. Marcelo Weber

Atualizado: há 2 dias

Durante mais de dez anos, enquanto fui professor de Oclusão e Disfunções Mandibulares na universidade, ensinei meus alunos a confeccionar a placa de bruxismo total. No entanto, com o tempo observei que esse tipo de placa, além de exigir até quatro horas clínicas para sua execução, apresentava baixa tolerância dos pacientes. Ela estimulava uma salivação excessiva na região posterior e muitos relatavam apertamento ainda mais intenso durante o uso.

Quando finalizei minha tese de doutorado sobre dor muscular associada ao bruxismo no Canadá, notei que lá utilizavam um modelo de dispositivo mais antigo — o front plateau, uma placa com oclusão apenas nos dentes anteriores. Os pacientes relatavam melhora substancial da sintomatologia e consideravam o dispositivo muito mais confortável do que a placa de cobertura total.

Com base nessa experiência, ao retornar ao Brasil em 2016 desenvolvi uma placa própria, também com oclusão restrita aos dentes anteriores, porém acrescida de um arco metálico na região anterior. O novo modelo teve adesão imediata dos meus pacientes devido ao conforto, facilidade de adaptação e efetividade clínica.

Decidi nomear o dispositivo como Placa de Bruxismo Weber, em homenagem ao meu avô, Helmuth Weber, dentista alemão formado em Berlim em 1923. Desde então, venho tratando numerosos pacientes com excelentes resultados. A placa Weber se mostrou muito mais simples para o protético confeccionar, mais fácil para o dentista ajustar e, sobretudo, muito mais confortável para o paciente.


✅ Evidências favoráveis à placa de oclusão anterior

  • Um estudo de 2023 com pacientes diagnosticados com bruxismo comparou três tipos de placas: placa rígida total, placa macia total e uma “modified anterior splint” (somente dentes anteriores). Observou-se que, ao fechar os dentes (clench), a atividade eletromiográfica (EMG) dos músculos masseter e temporal anterior foi significativamente menor com a placa anterior do que com as outras duas ou sem placa. PMC+1

  • Nesse mesmo estudo, a força máxima de mordida e a área de contato dental foram menores com a placa anterior. Ou seja: houve uma redução clara da carga oclusal sobre os dentes e sobre os músculos mastigatórios. BioMed Central+1

  • Em outro estudo recente (2024), usando imagens por ressonância magnética e análise de trajetória mandibular, comparando três desenhos de placas (cobertura total, anterior e posterior), a placa anterior provocou redução da ativação muscular (especialmente do músculo temporal anterior) significativamente maior que a placa total ou posterior. PubMed+1

  • Relatos clínicos e de caso demonstraram que a técnica conhecida como Front‑Plateau (placa de mordida anterior) — ou variações modernas dela — pode reduzir dor miofascial, dor na articulação temporomandibular (ATM) e promover melhora na mobilidade articular. Por exemplo, um relato de caso recente mostrou que, com essa placa, um paciente com dor na ATM e bruxismo obteve alívio da dor e melhoras na abertura e lateralidades mandibulares em 4 semanas, com manutenção a 1 ano. Repositório da Produção USP

Esses achados sugerem que a placa com oclusão restrita aos dentes anteriores pode:

  • diminuir significativamente a atividade muscular durante bruxismo ou apertamento;

  • reduzir a força de mordida e o contato oclusal, o que diminui desgaste dentário e sobrecarga articular;

  • ser mais confortável e bem tolerada pelos pacientes;

  • favorecer uma posição mandibular condilar potencialmente mais estável (embora ainda haja debate sobre esse ponto).


EXISTE O RISCO DE EXTRUSÃO DOS DENTES POSTERIORES?


Embora exista, na teoria, a preocupação com a possibilidade de extrusão dos dentes posteriores quando se utiliza um dispositivo com oclusão restrita aos dentes anteriores, na prática clínica isso não ocorre por um motivo fundamental: o paciente utiliza a placa exclusivamente durante o período noturno.

Durante o sono, não há estímulo mastigatório fisiológico que provoque forças eruptivas capazes de promover extrusão dos dentes posteriores. Além disso, o período em que a placa é utilizada é relativamente curto — entre 6 e 8 horas — e essas horas não são suficientes para gerar alterações dentárias estruturais ou mudanças oclusais.

Outro ponto importante é que, durante o dia, quando o paciente está acordado e sem a placa, os dentes posteriores entram em função normal — seja por deglutição, fala ou contatos oclusais ocasionais — o que mantém o equilíbrio das forças periodontais, impedindo qualquer movimento dentário indesejado.

Portanto, do ponto de vista clínico e fisiológico, não há risco de extrusão dos dentes posteriores com o uso noturno de dispositivos com oclusão anterior, desde que sua utilização seja monitorada adequadamente e o paciente retorne às consultas de acompanhamento conforme prescrito.

Placa de Bruxismo weber
Placa de Bruxismo weber
Placa de Bruxismo de cobertura total que é a placa normalmente usada para bruxismo
Placa de Bruxismo de cobertura total que é a placa normalmente usada para bruxismo

Weber Bruxism Splint Developed by Prof. Dr. Marcelo WeberAuthor’s photo: Dr. Marcelo Weber

For more than ten years, while I was a professor of Occlusion and Mandibular Disorders at the university, I taught my students to fabricate the full-coverage bruxism splint. However, over time I observed that this type of splint, besides requiring up to four clinical hours to complete, showed low patient tolerance. It stimulated excessive salivation in the posterior region, and many patients reported even more intense clenching during use.

When I completed my doctoral thesis on muscle pain associated with bruxism in Canada, I noticed that they used an older type of device there—the front plateau, a splint with occlusion only on the anterior teeth. Patients reported substantial improvement in symptoms and considered the device much more comfortable than the full-coverage splint.

Based on that experience, when I returned to Brazil in 2016, I developed my own splint, also with occlusion restricted to the anterior teeth, but with the addition of a metal arch in the anterior region. The new model was immediately well accepted by my patients due to its comfort, ease of adaptation, and clinical effectiveness.

I decided to name the device the Weber Bruxism Splint, in honor of my grandfather, Helmuth Weber, a German dentist who graduated in Berlin in 1923. Since then, I have treated numerous patients with excellent results. The Weber splint has proven to be much simpler for the technician to fabricate, easier for the dentist to adjust, and above all, much more comfortable for the patient.

✅ Evidence Supporting the Anterior Occlusion Splint

A 2023 study with patients diagnosed with bruxism compared three types of splints: rigid full-coverage, soft full-coverage, and a modified anterior splint (anterior teeth only). When clenching, electromyographic (EMG) activity of the masseter and anterior temporalis muscles was significantly lower with the anterior splint than with the other two or without a splint. PMC+1

In the same study, maximum bite force and dental contact area were lower with the anterior splint. In other words, there was a clear reduction in occlusal load on the teeth and on the masticatory muscles. BioMed Central+1

In another recent study (2024), using MRI imaging and mandibular trajectory analysis to compare three splint designs (full-coverage, anterior, and posterior), the anterior splint produced a significantly greater reduction in muscle activation (especially of the anterior temporalis) than the full-coverage or posterior splints. PubMed+1

Clinical reports and case studies have shown that the technique known as the Front-Plateau (anterior bite splint)—or modern variations of it—can reduce myofascial pain, temporomandibular joint (TMJ) pain, and improve joint mobility. For example, a recent case report showed that with this splint, a patient with TMJ pain and bruxism experienced pain relief and improvements in mandibular opening and lateral movements within 4 weeks, with results maintained at 1 year. Repositório da Produção USP

These findings suggest that an anterior-only occlusal splint may:

  • significantly reduce muscle activity during bruxism or clenching;

  • reduce bite force and occlusal contact, thereby decreasing dental wear and joint overload;

  • be more comfortable and better tolerated by patients;

  • favor a potentially more stable condylar mandibular position (although this point remains under debate).

IS THERE A RISK OF POSTERIOR TOOTH EXTRUSION?

Although, in theory, there is concern about the possibility of posterior tooth extrusion when using a device with occlusion restricted to the anterior teeth, in clinical practice this does not occur for one fundamental reason: the patient uses the splint exclusively at night.

During sleep, there is no physiological masticatory stimulus that creates eruptive forces capable of promoting posterior tooth extrusion. Additionally, the period during which the splint is worn is relatively short—between 6 and 8 hours—and this duration is not sufficient to cause structural dental changes or occlusal alterations.

Another important point is that during the day, when the patient is awake and not wearing the splint, the posterior teeth function normally—whether during swallowing, speech, or occasional occlusal contacts—which maintains periodontal force balance and prevents unwanted tooth movement.

Therefore, from a clinical and physiological standpoint, there is no risk of posterior tooth extrusion with nighttime use of anterior-occlusion devices, provided their use is properly monitored and the patient attends follow-up appointments as prescribed.

 
 
 

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